Como vai ficar a educação depois da pandemia? Os alunos podem ser reprovados em 2020?

18 de novembro de 2020
como vai ficar a educação depois da pandemia

O estágio de pandemia para a COVID-19 foi reconhecido pela OMS em 11 de março de 2020. De lá para cá, passaram-se mais de 230 dias, mas ainda ficam grandes dúvidas no cenário educacional: “Como vai ficar a educação depois da pandemia?” “Os alunos podem ser reprovados em 2020?” 

De acordo com a Unesco, pelo menos 1,5 bilhão de estudantes e 63 milhões de professores primários e secundários foram afetados pelo fechamento de escolas em 191 países, uma “perturbação sem precedentes” para a organização.

A nível nacional, os números também chamam a atenção. De acordo com o Jornal da USP, com dados do Censo Escolar de 2019, divulgado pelo Inep, aproximadamente 48 milhões de alunos deixaram de frequentar as atividades presenciais em mais de 180 mil escolas de ensino básico no Brasil.

É importante destacar que estes são indicadores que se referem ao ensino básico, ou seja, desconsideram os alunos de cursos técnicos e de ensino superior. Logo, no final das contas, o número é ainda maior.

Com dados tão significativos, a preocupação pelo futuro da educação é latente, mas é possível olhar para luzes que felizmente não estão tão no fim do túnel, mas mais próximas do que o atual cenário poderia nos fazer imaginar.

Se nem mesmo a educação em meio à pandemia tem caminhos totalmente claros, o cenário é ainda mais intenso em relação sobre como vai ficar a educação depois da pandemia, o que não passa apenas pela reprovação ou não dos alunos, mas sim no que será feito para tentar reaver o tempo perdido.

Caso você tenha essas e outras dúvidas, então veio ao lugar certo, pois nós preparamos um compilado com respostas importantes sobre o tema, tanto para entender o que deve acontecer quanto para trazer mais conforto em meio a esta situação. Nos acompanhe na leitura!

Como está sendo a educação em meio à pandemia?

Neste momento, na rede pública estadual de ensino, há algumas unidades federativas que já retomaram as atividades presenciais ou contam com alguma previsão para que isso aconteça ainda no ano de 2020, enquanto outras ainda não têm previsão.

De acordo com um levantamento do UOL Educação, com dados obtidos de 6 a 9 de outubro junto às secretarias estaduais de educação, a situação era a seguinte. Para casos em que foram encontradas informações atualizadas, as modificamos em relação à publicação original do UOL.

  • Amazonas: rede estadual desde agosto, em Manaus / rede privada autorizada a voltar
  • Ceará: rede estadual sem previsão / rede privada autorizada a voltar
  • Distrito Federal: rede estadual sem previsão / rede privada autorizada a voltar
  • Espírito Santo: rede estadual autorizada a voltar / rede privada autorizada a voltar
  • Maranhão: rede estadual sem previsão / rede privada autorizada a voltar
  • Mato Grosso: rede estadual sem previsão / rede privada apenas com ensino infantil autorizado em Cuiabá
  • Minas Gerais: aulas presenciais suspensas pelo Tribunal de Justiça
  • Pará: rede estadual com previsão de retomada em outubro / rede privada com ensino médio autorizado a voltar
  • Paraíba: rede estadual sem previsão / rede privada já tem pelo menos uma escola que retomou as aulas presenciais no ensino infantil e fundamental
  • Paraná: redes estadual e privada retornaram as atividades presenciais em 19 de outubro, mas apenas para atividades extracurriculares
  • Pernambuco: rede estadual com ensino médio autorizado desde 06/10 / rede privada com previsão de retorno em 10/11
  • Piauí: da retomada do ensino médio em 19/10, mas há determinações a serem cumpridas para o retorno
  • Rio de Janeiro: rede estadual com previsão de retomada em 19/10 / rede privada autorizada a voltar
  • Rio Grande do Norte: rede estadual sem previsão / rede privada autorizada a voltar
  • Rio Grande do Sul: rede estadual com previsão de retomada em 20/10 / rede privada autorizada a voltar
  • Santa Catarina: rede estadual teve pelo menos uma escola que voltou a receber alunos para auxílio pedagógico / rede privada já teve escolas que voltaram a oferecer aulas presenciais
  • São Paulo: rede estadual autorizada desde 08/09 para atividades extracurriculares / rede privada autorizada desde 08/09 para atividades extracurriculares
  • Tocantins: rede estadual com aulas suspensas até 31/10, exceto na última etapa da educação básica e ensino superior, estes já autorizados a voltar / rede privada com aulas suspensas até 31/10, exceto na última etapa da educação básica e ensino superior, estes já autorizados a voltar

É importante ressaltar que o cenário pode mudar rapidamente, já que além das discussões entre os estados, há também a atuação dos municípios, que podem ou não apoiar a volta às aulas.

O que podemos extrair disso, portanto, é que a educação em meio à pandemia ainda está um tanto quanto incerta, especialmente no que tange ao ensino presencial.

Em relação às atividades remotas, elas estão sendo oferecidas já há bastante tempo, com formatos que variam de acordo com cada estado e até com cada município.

Leia também: Ensino Online x Ensino Remoto: estamos prontos?

Como vai ficar a educação depois da pandemia?

A expectativa é de que o “novo normal” possa dar lugar o mais rapidamente possível ao “velho normal”, ou pelo menos algo próximo disso. Porém, mesmo quando isso acontecer, muita coisa que foi aprendida ou potencializada por conta da pandemia deve se manter – o que é ótimo, aliás.

Crescimento do ensino híbrido

Os desafios da educação pós-pandemia são muito grandes. Até mesmo quando consideramos a educação em meio à pandemia, temos que considerar que ela está acontecendo de uma maneira totalmente nova, com distanciamento social, uso de máscaras e rodízio de estudantes, por exemplo.

Como já apontamos por aqui em outro artigo, o ensino híbrido é um excelente caminho para o retorno às aulas presenciais. Basicamente, essa é a modalidade que combina o ensino dentro da sala de aula com o que acontece fora dela.

Sem dúvidas, essa é uma forte tendência para a educação depois da pandemia, o que certamente será intensificado pelas consequências dessa situação adversa que o mundo vive, mas na verdade é algo que já pedia passagem há um bom tempo.

A tecnologia é indispensável nos tempos que vivemos, seja para poder trabalhar à distância ou pedir comida no conforto de casa, e não há como dissociar a educação deste cenário, ainda mais quando pensamos que as crianças e jovens já estão habituados com essa tecnologia desde que nascem.

De fato, esperamos e torcemos para que a pandemia desapareça o quanto antes e, assim, tenhamos liberdade para poder retomar as atividades que eram feitas com tanta tranquilidade. Porém, mesmo quando isso acontecer, o ensino híbrido tende a se manter bem forte.

Um ponto interessante, inclusive, é a criação da Associação Nacional de Educação Básica Híbrida (ANEBHI), presidida por Maria Ines Fini, o que comprova que a modalidade tem muito a crescer aqui no Brasil.

Equiparação da qualidade do ensino à distância com o presencial

Outro ponto que merece ser destacado é a equiparação da qualidade do ensino à distância com o presencial, algo que já vem sendo colocado em prática nos dias de hoje e certamente receberá mais holofotes a partir dessa situação que acometeu todo o mundo.

Se essa equivalência já era tão necessária (de acordo com o Censo da Educação Superior 2018, 24,34% das matrículas do ensino superior foram para a modalidade à distância), a pandemia só evidenciou que quanto antes se obtiver a mesma qualidade em ambas modalidades, melhor será para todos os envolvidos.

Afinal de contas, se o objetivo de ambos meios de ensino é justamente oferecer uma educação de qualidade aos estudantes, todos os esforços possíveis merecem ser colocados em prática para que um padrão elevado seja mantido nas duas modalidades.

Leia mais: Qualidade do ensino EaD: como garantir a mesma do presencial?

Destaque da importância das avaliações formativas

Quando pensamos nos diferentes tipos de avaliação da aprendizagem, sabemos que todos eles são importantes, mas as avaliações formativas tendem a ganhar ainda mais espaço e aceitação na educação no pós-pandemia.

Com este tipo de avaliação, os professores e outros profissionais das instituições de ensino recebem feedbacks importantes sobre o progresso dos alunos, o que os ajuda na preparação de conteúdos que vão de encontro com o que os estudantes precisam.

Nas aulas presenciais, algumas formas de fazer isso são a revisão de cadernos e a observação do desempenho dos alunos. Porém, também é possível proceder com as avaliações formativas no ensino remoto, como por meio da análise de projetos desenvolvidos pelos estudantes e sua participação em aulas online, por exemplo.

Os alunos podem ser reprovados em 2020?

Para fechar a lista de perguntas capciosas respondidas neste artigo, vamos entender se os alunos podem ser reprovados em 2020 ou não. A resposta é que a possibilidade existe, mas é ainda mais remota do que costuma acontecer em anos “normais”.

De acordo com o Conselho Nacional de Educação (CNE), a recomendação é que redes de ensino e colégios de todo o Brasil evitem o aumento da reprovação de estudantes em 2020.

O CNE também recomendou que as escolas não computem faltas aos alunos durante a pandemia, dada a dificuldade em confirmar sua presença ou ausência nas aulas remotas.

Porém, cada escola ou rede de ensino tem autonomia para definir se reprovarão ou não os alunos. Por exemplo, há instituições de ensino em que o controle de presença está sendo feito com eficiência mesmo durante as aulas remotas, o que dá a elas a capacidade de avaliar o número de faltas.

Há, ainda, o fato de que muitos dos conteúdos não assimilados pelos alunos em 2020 serão aplicados até 2021, o que faria a reprovação escolar 2020 não ser tão lógica, já que a pandemia mexerá até mesmo com os calendários das escolas.

Em suma, não podemos afirmar que não vai ter reprovação em 2020: ela é possível, mas pouco provável, dadas todas as adversidades que o momento apresenta.

Uma alternativa para lidar com essa situação da melhor maneira possível é investir na avaliação diagnóstica, que visa identificar os conteúdos e conhecimentos que os alunos já possuem para, então, dar um feedback importante para que o professor prepare aulas assertivas para guiar o ensino do próximo ano.

Exercícios, simulações, redações, debates, elaboração de questionários, entrevistas com alunos e consultas ao histórico escolar, além do uso de soluções tecnológicas, são alguns meios de aplicar a avaliação diagnóstica e, assim, otimizar o processo de ensino-aprendizagem.

Se quiser saber mais sobre este assunto, que pode fazer com que a volta às aulas seja tão tranquila, eficiente e produtiva quanto possível, recomendamos que leia nosso conteúdo sobre a importância da avaliação diagnóstica para a sua instituição.

Confira também: Retenção de alunos: entenda o papel do professor para evitar a evasão acadêmica

Educação no pós-pandemia: mudanças disruptivas, mas essenciais

São bem grandes as chances de que o “antigo normal” não volte exatamente como era. Embora isso pareça assustador em um primeiro momento, há muitos pontos positivos.

É inegável que a pandemia acelerou a migração digital. Se o ensino remoto parecia tão distante, hoje ele é bem mais forte. Com isso, o ensino híbrido tende a ganhar força, o que está inteiramente de acordo com a forma que a sociedade se comporta em relação à tecnologia.

Os esforços para manter a régua de qualidade entre o ensino presencial e a distância devem ser ainda mais intensos, e as avaliações formativas, mesmo já existentes, puderam ser analisadas sob outro ponto de vista.
No frigir dos ovos, podemos não saber exatamente como vai ficar a educação depois da pandemia, mas a tendência é de que ela esteja ainda melhor. Ainda que pareça estranho, isso só comprova como a educação é, de fato, um pilar da sociedade, que não pode ser derrubado nem mesmo por uma pandemia.